Pular para o conteúdo

Uma vida reconstruída · O Atlas

Fragmentos de Contos · vidas fictícias curadas pelo Arquivo

A confissão de um afogado, e a súplica de um inocente

A Maré Que Não VoltouPortugal1967–19682 fragmentos

Peniche, 1967: um pescador encenou a própria morte no mar para que a mulher fosse uma viúva que a vila ajudaria. Uma confissão escondida e a súplica de um inocente sobrevivem a ele — a forma de um sacrifício, reconstruída do que a maré deixou.

  1. 01

    A confissão escondida

    Escondida entre os papéis de um afogado, Peniche · Outono de 1967

    Deolinda,

    Se está lendo isto, alguém encontrou o que não devia. Queime.

    Fiz o que um homem nas minhas contas ainda podia dar: a casa é sua, a pensão também, e o mar leva a dívida para o fundo comigo.

    Peço uma coisa só — seja viúva do mar, não minha. Que nunca saiba.

    Aníbal

  2. 02

    A súplica do inocente

    Uma súplica em que ninguém acreditou, Nazaré · Inverno de 1968

    A quem quiser me ouvir,

    Juro diante de todos que, no dia em que o Aníbal se perdeu, eu estava na lota da Nazaré, e há vinte homens que me viram.

    Nunca encostei a mão nele. Minha desgraça é ter brigado com um morto.

    Casimiro Lopes

Esta vida passou por lugares reais. Deixe uma carta sua por perto.

Deixar uma carta por aqui